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Variedades Quarta-feira, 19 de Outubro de 2022, 16:41 - A | A

Quarta-feira, 19 de Outubro de 2022, 16h:41 - A | A

missa interrompida

Mulher grita com padre após ele citar Marielle durante missa

Uma mulher gritou com um padre durante uma missa dominical, após ele falar sobre intolerância na homilia

Folhapress/Maurício Businari

Uma mulher gritou com um padre durante uma missa dominical, após ele falar sobre intolerância na homilia e citar os nomes da ex-vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, no Rio de Janeiro, e do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, mortos no Amazonas este ano. Parte da confusão foi gravada por fiéis que participavam da celebração.

O caso aconteceu na manhã de domingo (16) na igreja católica São João Batista, em Jacareí (SP). "O senhor não vai falar de Marielle Franco dentro da casa de Deus. O senhor não vai falar de Marielle Franco, uma homossexual, uma envolvida com o tráfico de drogas, o senhor não vai falar de Marielle Franco dentro da casa de Deus. Uma esquerdista do PSOL, uma homossexual, que quer a ideologia de gênero dentro da escola das crianças", grita a mulher, citando fake news que à época da morte se espalharam sobre Marielle.

Após alguns minutos, uma mulher passa a apoiar a atitude da primeira e a desafiar o padre: "Isso mesmo. Defende o aborto também, padre? Defende o aborto?".

A missa teve que ser interrompida, mas a mulher continuou a gritar com o padre no corredor da igreja, enquanto pessoas que estavam ao seu lado tentavam acalmá-la e contê-la.

No vídeo que circula nas redes sociais, a fiel que gravou um trecho da discussão desaprova a atitude da mulher. "É uma falta de respeito com a igreja. Padre fazendo homilia e eles não souberam respeitar o horário mais sagrado da igreja, que é o horário da santa missa".

Paroquianos ouvidos pelo UOL disseram que não havia nada de errado com a homilia do padre Ewerton, o titular da igreja. Homilias são pronunciamentos litúrgicos realizados após a leitura de um trecho da Bíblia (Liturgia da Palavra) nas celebrações dos sacramentos ou sacramentais. O conteúdo das homilias é abrangente, pois deve oferecer perspectivas de como viver a palavra de Deus anunciada naquela celebração.

"Ele estava falando sobre tolerância quando citou os nomes de pessoas assassinadas pela intolerância", lembra uma aposentada, frequentadora da igreja, que pediu para não ter o nome publicado. "Assim que ele falou o nome da Marielle, essa senhora se levantou do banco em que estava sentada e começou a gritar. Ela nem estava prestando atenção na homilia, acho nem sabe o que é uma homilia. Aliás, depois falando com amigas que estavam na missa, nós concluímos que não lembramos dessa mulher na igreja".

Outra fiel ouvida pela reportagem disse que o "padre Ewerton é um padre reservado, discreto. Nem rede social tem. Pessoas que agem dessa maneira não são cristãs, não tem ideia do que sejam os ensinamentos de Jesus. O padre falando de intolerância e a mulher berrando, como exemplo da intolerância que ele criticava durante a homilia. Essa gente se diz católica, mas é só da boca para fora. Casa na igreja porque é tradição. Faz batizado porque a avó da criança obriga".

O UOL entrou em contato com a diocese de Jacareí, mas a decisão das lideranças é de se manter em silêncio sobre o caso, assim como o padre Ewerton. "O silêncio é a melhor resposta para esse tipo de atitude", disse uma paroquiana ligada às obras da igreja. "Ela que lide com sua consciência depois do que fez".

Apesar do transtorno e da confusão, o caso não foi levado ao conhecimento da polícia.

ELEIÇÃO COM BRIGA RELIGIOSA

A politização da religião virou um tema forte nas eleições de 2022, contrapondo apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, que tem uma forte base evangélica, e Lula. As discussões sobre política já causaram agressões físicas e até tentativas de homicídio.

Em setembro, um policial militar que frequenta uma igreja da CCB (Congregação Cristã no Brasil) em Goiânia baleou um "irmão" durante o culto por causa de uma divergência política entre a vítima e um cooperador da igreja que defendia o presidente Jair Bolsonaro.

A briga aconteceu após a CCB ter passado uma circular sobre eleições, que estava sendo lida nos cultos, dizendo que os fiéis não deveriam "votar em candidatos ou partidos políticos cujo programa de governo seja contrário aos valores e princípios cristãos ou proponham a desconstrução das famílias no modelo instruído na palavra de Deus, isto é, casamento entre homem e mulher".

Em 12 de outubro, a confusão provocada por apoiadores de Bolsonaro no Santuário Nacional de Aparecida do Norte revoltou católicos de todo o Brasil. Jornalistas foram agredidos verbalmente, bolsonaristas foram flagrados consumindo bebidas alcoólicas e o padre Camilo Júnior chegou a ser vaiado durante a missa, após dizer que aquele não era o momento de pedir de voto, mas de "pedir bênção" à santa.

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