17 de Julho de 2024
17 de Julho de 2024
 
menu

Editorias

icon-weather
lupa
fechar
logo

Variedades Sexta-feira, 22 de Julho de 2022, 17:12 - A | A

Sexta-feira, 22 de Julho de 2022, 17h:12 - A | A

violência

Filha de vítima morta no Alemão questiona; “como que um policial atira dessa forma na minha mãe?”

Letícia Marinho Sales, de 50 anos, foi morta ao lado do namorado, dentro do carro. Ela tinha ido para a Vila Cruzeiro na quarta (20) para ajudar uma pastora a organizar uma festa na comunidade.

Uma das vítimas dos confrontos no Complexo do Alemão tinha ido para a Vila Cruzeiro na quarta (20) para ajudar uma pastora a organizar uma festa na comunidade. Letícia Marinho Sales, de 50 anos, passou a noite na casa do namorado e estava voltando para casa, no Recreio dos Bandeirantes, quando foi atingida.

Letícia tinha enterrado a mãe, vítima de câncer, uma semana antes. Essa dor, as filhas terão de enfrentar novamente, agora por causa da violência.

Jenifer e Jéssica estiveram na manhã desta sexta-feira (22) no Instituto Médico-Legal para reconhecer o corpo da mãe — uma das 18 pessoas mortas em dois dias de conflitos no conjunto de favelas.

“Foi tirado um pedaço de mim. Tudo o que eu tinha na minha vida era a minha mãe. Ela era tudo. Eu perdi minha avó há 12 dias. Enterramos a minha avó, e eu falei: ‘Só tenho a minha mãe e o meu pai’. E agora, infelizmente, tiraram minha mãe de mim”, disse Jenifer.

“Eu só quero que tenha justiça no que foi feito com a minha mãe, porque eu não desejo o que eu estou sentindo para ninguém. É uma dor que não desejo para ninguém”, afirmou.

‘Despreparo’

A família criticou a atuação da polícia e classificou o agente que teria atirado na vítima como “despreparado”.

“Um policial vem e atira na minha mãe dessa forma? O que a minha mãe fez com ele? Ela levantou uma arma para matar ele? O que tinha na cabeça aquele homem?”, disse Jéssica.

“A única coisa que eu cobro do governador Claudio Castro é justiça. Porque nada vai trazer minha mãe de volta. Nada do que o estado fizer vai trazer minha mãe de volta. O Estado foi extremamente negligente”, disse Jenifer.

Solidária e voluntária

Letícia Salles era nascida e criada na Vila Cruzeiro, na Zona Norte do Rio. Atualmente morava no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste, mas costumava voltar à comunidade. Era evangélica e costumava participar de atividades solidárias, para ajudar outras pessoas.

“A minha mãe ajudava todo mundo, minha mãe acolhia a todos. Aonde ela ia, era amada. Se ela visse alguém que estava precisando, ora com palavras, ora colocava pessoas na casa dela para ajudar, sem pensar duas vezes”, afirmou Jéssica.

Letícia tinha três filhos e três netas e era muito próxima dos sobrinhos. “Para ela, tudo era a família”, afirmou Jenifer.

Letícia trabalhava fazendo quentinhas e costuras, mas planejava atuar na área de segurança.

“Ela tinha acabado de reciclar a carteira dela de vigilante patrimonial”, contou Jenifer.

Por fim, a família pediu que outras pessoas inocentes não sejam vitimadas.

“Sempre vários inocentes são vítimas. Eles sempre vêm e levam a vida de um inocente. Quantas pessoas vão precisar morrer para o estado tomar uma atitude?”, afirmou Jenifer.

Siga a página do VGNotícias no Facebook e fique atualizado sobre as notícias em primeira mão (CLIQUE AQUI).

Entre no grupo do VGNotícias no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).   

RUA CARLOS CASTILHO, Nº 50 - SALA 01 - JD. IMPERADOR
CEP: 78125-760 - Várzea Grande / MT

(65) 3029-5760
(65) 99957-5760