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Polícia Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2015, 12:46 - A | A

Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2015, 12h:46 - A | A

Operação Mercatore

Organização criminosa acusada de movimentar R$ 1,7 milhões em lavagem de dinheiro e comércio de produtos roubados é presa

João dos Santos Filho e o gerente geral Odair Coelho Vas, que administravam quatro bancas no Shopping Popular

Redação com PJC/MT

Nove membros da organização criminosa acusada de movimentar R$ 1,7 milhão, provenientes da lavagem de dinheiro e comercialização de produtos roubados como cargas de eletroeletrônicos, acessórios e equipamentos de informática foram presos, na manhã desta sexta-feira (18.12), na operação “Mercadore”, deflagrada pela Polícia Judiciária Civil. A Polícia Civil cumpriu 11 mandados de prisão preventiva, 12 conduções coercitivas e 34 buscas e apreensão. Duas pessoas estão foragidas. 

As investigações da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), de Cuiabá, iniciadas há 1 ano, apontam que no topo da hierarquia da organização criminosa está João dos Santos Filho e o gerente geral Odair Coelho Vas, que administram quatro bancas no Shopping Popular, no bairro Dom Aquino, região do Porto, na  Capital.

Os dois suspeitos e outros sete membros estão presos, incluindo um policial civil. Um advogado e uma bancária que auxiliam a quadrilha também foram conduzidos coercitivamente para interrogatórios. O grupo é investigado em lavagem de dinheiro advindo de práticas criminosas, especialmente, roubos e furtos, receptação qualificada de cargas de eletroeletrônicos, estelionato, corrupção de agentes públicos e associação criminosa.

As bancas que funcionam no Shopping Popular foram lacradas na operação e todos os produtos apreendidos. Nas apreensões, ainda não contabilizadas, estão aparelhos de notebooks, computadores, celulares, acessórios para celulares e equipamentos informáticas, além de uma vasta quantidade de outros  produtos do comércio popular.

Também foram apreendidas etiquetas usadas para trocar os selos de autenticidades com número de série dos equipamentos, como notebooks, de diversas marcas vendidas no mercado. “Além de alterar a configuração dos notebooks, também mudava as características do equipamento. Isso dificultava o reconhecimento das vítimas”, disse a delegada Elaine Fernandes.

Segundo a investigação, o líder do grupo criminoso, João dos Santos Filho, conhecido por “Tom”, e chamado pelo seu gerente de “Pai”, em referência a um dos personagens da novela a “Regra do Jogo”, definia o direcionamento das ações praticadas pelos integrantes da organização tais como métodos de lavagem de dinheiro, captação de recursos para financiar as ações criminosas, gerenciamento das atribuições de cada integrante, negociação das cargas roubadas, corrupção de servidores públicos, dentre outras estratégicas para manutenção da estrutura organizacional e econômica da associação criminosa.

A base geográfica territorial da organização criminosa é o shopping popular, para onde a mercadoria receptada depois de ter os selos trocados era comercializada. “A receptação é um crime de extrema gravidade e força motriz de muitos outros delitos, que durante décadas foi tratado equivocadamente pela sociedade como crime de menor potencial ofensivo”, disse a delegada Elaine Fernandes.

De acordo com a delegada, que preside a investigação, o poderio da quadrilha é tamanho, que em apenas dois meses, o líder da quadrilha, um comerciante que possui bancas de camelô, movimentou R$ 1,7 milhão, em três contas bancárias. “Esse capital elevado é absolutamente incompatível com a denominação simplista de um comerciante. A quebra de sigilo bancário se refere a um período curto, que impede reconhecer que essa elevada movimentação financeira é apenas um recorte do amplo cenário que se constitui o poderio econômico dessa organização criminosa”, declarou.

As investigações apontam que o grupo está por trás, diretamente e indiretamente, de cerca de 90% dos roubos em comércio, precisamente a eletroeletrônicos.

Modus Operandis - As investigações da Polícia Civil apontam que o esquema era mantido por meio de empresas de “fachadas”, para capitanear recursos junto às instituições bancárias e assim, financiar os roubos, furtos e a receptação de cargas de eletroeletrônicos.

Foram identificadas nove empresas constituídas pelo grupo para lavagem de dinheiro. Uma delas, a R.A.G, Comércio de Informática, foi instituída com documento falso, em nome do vice-líder da organização criminosa, Odair Coelho Vas, que em seu RG falso apresenta-se como Odair Francisco Vas.

O chefe do bando, João dos Santos Filho, também possui procuração para movimentar as contas fraudulentas, em nome da empresa R.A.G, e fazia as transações financeiras contando com ajuda de uma bancária, que facilitava  empréstimos “vultuosos”, fundamentados em documentos falsos.

Um advogado também auxiliava na parte jurídica, como elaboração de contratos de imóveis, para agilidade na liberação de empréstimos de valores elevados.

“Tudo isso com o intuito de aumentar o poderio econômico da organização criminosa, de forma a financiar a prática dos roubos e a aquisição de cargas de eletroeletrônicos roubadas e furtadas”, explica à delegada.

Mercatore - vem do Italiano e significa comerciante, mercancia, aquele que media e age como intercessor, traficante.

Antecedentes - Segundo as investigações os líderes da organização criminosa, João dos Santos Filho, o “Tom” e Odair Coelho Vas, são criminosos contumazes e de alta periculosidade. Odair Coelho já foi processado por roubo qualificado. Seu chefe, João dos Santos, já preso na operação “Lista Amarela”, em dezembro de 2012,  sendo processado e condenado ao cumprimento de 4 anos e 5 meses de reclusão. Na época dessa operação, a Polícia Civil apontou que a quadrilha era responsável por metade dos roubos a empresas do ramo de transporte e logística, na Grande Cuiabá.

Foto: GD

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