Jogadores do Operário vivem situação degradante em Várzea Grande

 

por Willian Arruda/Especial VG Notícias

 

Amanhã (01.05), o tricolor de Mato Grosso, Operário Várzea-Grandense, completa 64 anos de existência. O time que no passado já teve craques como Jorge Panzarielo, Mosca, Bife, Mão de Onça, Carlos Pedra, Wender e até o ídolo do Flamengo, Jorge Andrade, vive seu pior momento.

Um grupo de 12 jogadores que vieram para Várzea Grande disputar o estadual deste ano - vivem em situação degradante, em uma casa no bairro Cristo Rei, que não possui as condições mínimas de viver, sem luz, com apenas um banheiro, sem água encanada e chuveiro para tomar banho. Além disso, estão com dois meses de salários atrasados. Como denunciou o volante experiente Cristiano Recife de 31 anos, que já atuou em clubes da Inglaterra, França, Itália e Portugal.

“Nós fomos contratados para vestir a camisa do Operário e colocá-lo na 1ª divisão, ou seja, honrar a camisa desse clube, mas chegamos aqui e encontramos essa triste realidade. Já estamos treinando há dois meses sem receber, isso é decepcionante”, disse o jogador veterano.

 

Ele ainda informa que o culpado pela situação é um dos dirigentes do Operário, Elcio Batista, pois ele que contratou os atletas nos Estados de Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe, Minas Gerais e Rio Grande do Sul e sem maiores explicações demitiu todos os jogadores e sequer pagou os dois meses de trabalho.

Outro atleta que informou a reportagem que veio com todo o objetivo de desenvolver um bom futebol e está muito decepcionado é o atacante João Paulo, que saiu de Recife Pernambuco.

“Essa situação que estamos vivendo é completamente degradante, quando fomos contratados tivemos a promessa de que receberíamos toda a infraestrutura para desenvolver um projeto que levasse o Operário a 1 divisão, mas aqui hoje não recebemos nem café da manhã, temos que fazer cota para comprar o pão se quisermos comer todo dia”, disse o jogador que cobra o dirigente Elcio Batista.

Vivendo há três anos no futebol de Mato Grosso, o mais experiente de futebol mato-grossense, o atacante Aguinaldo Neto,  afirma que nesse tempo ao atletas nunca haviam passado por uma situação dessa, mas admitiu que houve sempre problemas de gestão entre o atual presidente do clube Sebastião Viana e os dirigentes aqui no Estado.

“Seu Sebastião sempre administrou bem o Operário, o problema é quem ele coloca aqui em Várzea Grande para cuidar do clube, já que ele mora no Rio de Janeiro. O que estamos passando hoje é muito triste”, disse o atleta que disputou as temporadas 2011,2012 pelo Operário sendo artilheiro da Copa Mato Grosso com seis gols em 2011, além disso, ele teve uma passagem pelo Luverdense.

Indignados com a situação degradante, os jogadores acionaram a  Polícia Militar na noite de ontem e esperam providencias pelos dirigentes do clube quanto essa situação.

Conheça um pouco da história do clube, contada pelo jornalista Pulula da Silva, que jogou no time:

O Clube Esportivo Operário Várzea-grandense foi fundado em primeiro de maio de 1949, por um grupo de jovens, liderado por Rubens dos Santos, com apoio do Bispo Dom Campello de Aragão. O Clube era considerado o tricolor mais querido em Mato Grosso.

Entre as grandes conquistas estão: tri-campeonato amador – conquistado nos anos de  1952, 53 e 54, sendo pioneiro no profissionalismo – tema que será abordado na segunda parte da história do Operário, conquistando os títulos em 1967, 68 e72, qualificados como Campeonato Cuiabano, e em 1973, o primeiro Campeonato Estadual de Futebol integrado, com a participação de clubes do norte e do sul do Estado, antes da divisão. Antes era disputado o Campeonato Cuiabano e o Campeonato Campo–grandense. Essa façanha certamente ficará eternizada na memória do torcedor do “Chicote da Fronteira”, e pode ser considerada até a data atual, 2011, como o título mais importante na história do clube.

Inesquecível também foi à conquista da Copa Campeão dos Campeões em 1964, bem como o inédito tri-campeonato em 1985, 86 e 87, na gestão do radialista Edvaldo Ribeiro, hoje apresentador do programa jornalístico na Rádio Cidade FM. Ele foi o único presidente tri-campeão na história do clube.

O Bispo Dom Campello de Aragão, atualmente residente em Maceió (AL), doou as primeiras camisas, e por ser torcedor do Fluminense do Rio Janeiro, as cores foram idênticas a do clube carioca, verde, vermelha e branca, permanecendo até a data atual. Quanto ao nome, por ser a data em que se comemora o Dia do Trabalhador, Rubens dos Santos achou por bem homenagear a classe, motivo do nome Operário.

Primeira partida - A primeira partida aconteceu em 1º de maio, no período vespertino, no Círculo Operário – onde atualmente funciona a Conferência e Eventos Igreja N.S. do Carmo, na Rua Independência, centro de Várzea Grande. O falecido Boalva fez o primeiro gol da história do clube na vitória de 1 X 0 diante do Palmeiras do Porto. O primeiro time tricolor a entrar em campo era formado por Jorge Mussa, Benedito Sapateiro, Caetano, Assis e Alito; Ciro Moreira, Lindolfo e Rubens dos Santos; Zé Simeão, Nono Sapateiro e Boalva. O time tinha ainda o goleiro José Victor da Silva, o Juca Victor e seu irmão Hélio Victor, Gonçalo Gongon, Cháfia e  Alberto.

Rubens de  Morais era o treinador, que nas horas vagas atuava também como árbitro na Liga. Na história, com comentários de pessoas da época, consta que ele foi assassinado em uma noite no início dos anos 50, após uma conquista do Operário durante a festa no Clube Dançante Várzea-grandense, onde funciona hoje a Casa da Cultura de Várzea Grande, próximo a Praça Aquidaban, no centro da cidade. “Era um ótimo treinador, e nos passava confiança e sabedoria para as boas atuações”, confirmou o ex–atacante Zé Simeão, lenda viva da história tricolor, e pai dos conhecidos Gonde e Carlinhos “Cabinho”, funcionário do Fórum de Várzea Grande.

1ª diretoria - O time dava o pontapé inicial em campo, e Rubens dos Santos convocava torcedores e simpatizantes do clube para a formação da 1ª diretoria. A reunião aconteceu no dia 15 de maio na casa de Joaquim Santana Rodrigues, com o falecido Luiz Vitor da Silva sendo escolhido como 1º presidente na história do Operário Várzea-grandense. A diretoria era composta também por Rubens dos Santos, Lamartine Pompeu de Campos, Joaquim Santana Rodrigues, Oldemar Pereira, Mestre Dario, Manoel Mendes de Oliveira, Ataíde do Cartório e Manoel Santana.

Tri-campeonato - O Campeonato Amador Várzea-grandense era disputado por Bonsucesso e Vila Nova de Bonsucesso, Clube Atlético Souza-limense (Souza Lima), Campinas da Guarita, Soberano, Industrial do Porto (Convidado de Cuiabá) e Operário Várzea-grandense. O tricolor ganhou os títulos em 1953,54 e 55, tornando – se tri – campeão amador.

Nas conquistas de 53 e 54, o centroavante Nono Sapateiro, pai do vereador Edil Moreira, foi o grande herói, conforme disse o Beraldo Correa, outro grande nome na história do clube. “Na primeira conquista, o Operário venceu de virada o poderoso Vila Nova do Distrito de Bonsucesso por 2 X 1, com dois gols do Nono, e em 1954, a vítima foi o Industrial do Porto, onde vencemos por 1 X 0, com o “Sapateiro” fazendo o gol do bi–campeonato”, confirmou o ex–craque e dirigente.

No tri–campeonato conquistado em 1955, o Operário ganhou invicto, realizando a seguinte campanha: Vila Nova (Bonsucesso) – 5 X 1 e 3 X 1, Clube Atlético Souza-limense ( Souza Lima) – 2 X 1 e 1 X 0, Campinas (Guarita) – 2 X 0 e 1 X 0, e o Industrial do Porto, 4 X 1 no 1º turno, e na decisão, 4 X 2.  Beraldo disse que a “fera” foi o ponta Zé Simeão.

“A decisão aconteceu no Estádio Gonçalo Botelho de Campos, atualmente está instalado o Supermercado Big Lar, onde toda quadra era do Operário, e na final , o tricolor goleou por 4 X 2, com o “baixinho” Zé Simeão fazendo dois gols, com Chafia e Lindolfo completando o marcador. Tidinho Correa marcou os gols da equipe portuária de Cuiabá. Foi uma festa inesquecível, com direito a comemoração que iniciou no Bar Satú, varando a madrugada no “Bar Balança Mais Não Cai”, que ficava na Avenida Couto Magalhães, próximo onde hoje funciona Caixa Econômica Federal”, ressaltou Beraldo.

Filiação na FMD - O Campeonato Amador Várzea-grandense ficava pequeno pela grandeza do futebol que o Operário apresentava, e Rubens dos Santos, já na condição de presidente, atravessou a ponte Julio Muller, filiando o clube em 1958 na Federação Mato-grossense de Desportos (FMD), presidida por Macário Zanacappe João de Deus. Nesse ano e em 1959, o Operário não foi bem, a não ser o empate histórico diante do Dom Bosco em 1 X 1, gol de Lindolfo, já em final de carreira . “Nesse dia o Maurão fechou o gol, e o azulão cuiabano, que tinha uma dupla de área infernal, formada por Damasceno e Fião, nada fizeram contra nós. Foi uma glória empatar com um dos melhores times do Estado, com o Presidente Eurico Gaspar Dutra lotado”, avaliou Isaac Nassarden, secretário adjunto de Educação de Várzea Grande. Lembrou ainda de vários craques daquele time, a saber: Maneco, Beraldo Correa, Iunes, Ali e Jafa Mussa, Maurão, Tião Macalé, Caboclo, Botelho, João Garrucha, Acimar Monteiro (ex–prefeito de Livramento), e  Berlindes Pacu.

Em 1961, Rubens dos Santos deixou a presidência do clube, assumindo Ari Leite de Campos, e o tricolor ficou na 4ª colocação. Em 1962, o tricolor ganhou do radialista e jornalista Jota Alves, da Rádio A Voz do Oeste, o apelido de “O Pequeno Davi”, pelo fato de vencer todos os considerados times grandes da Capital, e o tricolor, após uma grande campanha, ganhou o direito de disputar o título com o fortíssimo Dom Bosco. Sentindo–se prejudicado na FMD, Rubens dos Santos não leva o time para disputar as finais do campeonato, e o Dom Bosco ganha título por W 0.

Contratações - Em 1963, Rubens dos Santos é eleito novamente presidente, e a seu lado na diretoria tinha Aziz Nadaf, Atair Monteiro, Manoel Ito Correa, Gonçalo Pedroso Branco de Barros e como massagista, Shinhô. Renovando por completo o plantel, contratando grandes nomes do futebol mato-grossense, senão vejamos: Didi (XV de Novembro), Saldanha (Palmeiras), Wilson Pana (Comercial de Campo Grande), Aélio ( Campinas de Cuiabá), Maurão (Frima), Paraguaio (Comercial de Ponta Porã), Poxoréo (Mixto), Lício Amorim e Vital (Atlético), Ide “Nhara” e Bem (XV de Novembro).

Com Rubens dos Santos como treinador, auxiliado por Tio Basílio Tavares,  surgia o “Rolo Compressor”, que mesmo não conquistando o título Cuiabano, encantava a todos pelo espetáculo que oferecia durante as partidas. O time titular era formado por Saldanha, Vital, Martinho, Formiga e Maneco; Poxoréo, Aélio e Tatu; Ide “Nhara”, Gildo (Ben) e Lício Amorim (Didi). O time ficou com a terceira colocação, e de acordo com Beraldo, era tudo que podia esperar de um time em formação, necessitando de maior entrosamento, e mesmo assim, atuava muito bem.

Campeões dos campeões - Em 1964, com Atair Monteiro, como presidente, e Rubens dos Santos na direção técnica, em partida emocionante com o Mixto, venceu por 3 X 1, gols de Fião, conquistando o primeiro título cuiabano, quando sofreu apenas uma derrota, 4 X 2 para o Americano, em um dia que nada deu certo, como afirmou o artilheiro do campeonato Fião, autor de 25 gols durante o certame. “Quando a bola não quer entrar, nem o Pai Santo Carrapato, importado de Corumbá, podia dar jeito”, comentou a “Pérola Negra”, apelido carinhoso que recebeu da torcida tricolor.

Em 1964 foi disputada a Copa dos Campeões dos Campeões e a decisão aconteceu entre  Operário (norte) e Ubiratan de Dourados (Sul) em duas partidas, com o Operário empatando a primeira em Dourados em 0 X 0, e uma semana depois, com o Estádio Presidente Eurico Gaspar Dutra lotado, após um empate de 0 X 0 no tempo normal, o Tricolor na prorrogação venceu por 1 X 0, gol de Ide “ Nhara”,aos 13 minutos do segundo tempo.

“Tudo levava a crer que a decisão seria por pênaltis, mas no final da prorrogação o Franklin enfiou uma bola em diagonal para o Ide, que tocou na saída do goleiro, fazendo o gol do título”, relembrou o presidente na época, Atair Monteiro durante uma entrevista ao jornal Correio Várzea–grandense tempos atrás em sua residência.

Fatos curiosos - Vários casos curiosos e engraçados aconteceram desde a fundação do clube até profissionalização. Em 1984, em vida, Jorge Mussa, comentou com o repórter Pulula da Silva, a primeira excursão do Operário realizada em 1952 para enfrentar a Seleção de Alto Paraguai. “O Aeroporto era localizado na Cidade Célula (hoje, bairro Santa Rosa) em Cuiabá, e foi fretado um avião da extinta Viação Nacional. Assim que o avião começou o aquecimento dos motores foi aquela gritaria, todo mundo em pânico”, comentou, explicando que ninguém ali tinha viajado de avião, e como era dos antigos, bi motores, o barulho foi intenso.

“Passado o primeiro susto,  Rubens dos Santos e Ataíde do Cartório começaram a contagem dos atletas, e faltava o atacante Gonçalo Gongon, uma das estrelas do time. Na hora do barulho, com toda a fumaceira formada, o Gongon pulou fora do avião, subindo a rua na maior carreira, e só conseguimos alcançá-lo em frente ao 16º BC. O Basílio Tavares que fazia às vezes do médico deu um suco forte de Maracujá para ele que acalmou e então prosseguimos a viagem”, disse sorrindo, na época, Jorge Mussa.

Engraçado também foi à volta do Operário desta excursão em Alto Paraguai. Na ida a viagem de avião durou 35 minutos, enquanto os torcedores foram por terra no caminhão Ford do Paulino Gonçalo de Campos, o Sinhôca. Foram quase 12 horas comendo terra, e quando chegaram em Alto Paraguai, os jogadores “gozaram” dos “comedores de poeira”. Acabou o jogo, onde aconteceu um empate em 3 X 3 ( gols de Lindolfo, Boalva e Gonçalo Gongon), e os jogadores estavam afoitos para conhecer as mocinhas da cidade, afinal, o avião só sairia na manhã de segunda–feira. Porém, durante o jantar, Ataíde Ferreira da Silva acaba com os planos dos jogadores ao avisar que teriam que voltar naquela mesma noite e ainda, de caminhão, pois, o avião teve problemas no trem de pouso, e a diretoria teve que fretar um caminhão para trazer a delegação de volta para Várzea Grande. A turma do caminhão Ford do Sinhô foi à forra, dando o troco na gozação.

Relembre momentos históricos do Operário Várzea-Grandense:

Créditos: Pulula da Silva

 

Dirigentes, atletas e torcida feminina juntos comemorando o 1º título de Campeão Cuiabano de Profissionais em 1967

Rubens dos Santos, Fioriavante Fortunato, João Batista Jaudy e atletas em passeata por Várzea Grande após a conquista

Em 1968 o time que conquistou o Bi - Campeonato Cuiabano

Recorte de jornal da época comenta a administração Ingo Klein e o sucesso do Operário no início da década de 70

O falecido radialista Romeu "Memeu" Roberto entrevista Zé Pulula em 1974

Viagem de avião para decidir o título Norte/Sul em 1974

Jornal de Cuiabá recorda os bastidores da partida Operário e Clube Atlético Mineiro em 1974

Desfile Cívico em Várzea Grande com o Operário representado pela Classe Estudantil no final dos anos 60

Jornal da capital destaca a grande vitória do Operário de virada sobre o América Mineiro em 1974

Prefeito Julio Campos em 1973 participava ativamente da vida do Operário comemorando com a torcida as conquistas

 

O falecido José Guimarães, o Zé Gordo, o Bochecha Wolkslândia, em momento de lazer em Praia Grande, presidiu o Operário em 1975

Revista Placar destaca o Operário no início de 1975

Time bi - campeão de 1994/95 tinha o consagrado Andrade ( ex - Flamengo) como capitão e ídolo

Esse time reforçado pelo 'Furacão da Copa" Jairzinho fechou ano de 1975 no tricolor

Operário negociou os "cobrões" dando oportunidade a juventude do futebol amador cuiabano

Recorte de jornal lembra o a inauguração do Verdão e o fracasso tricolor de 1976

Em 1978 o presidente Moacyr De Lannes lança a Pedra Fundamental da Vila Olímpica tricolor

Jornal em 1983 lembra que com Branco de Barros na presidência o Operário após 10 anos de jejum ganhou o título estadual

Sede Social do Operário no início dos anos 80

Com o radialista Edvaldo Ribeiro( na foto o prefeito Jaime Campos) na presidência o Operário conquistou o primeiro tri - campeonato na história

Jornal destaca o treinador Totinha Gomes e a torcida tricolor na retomada da hegemonia do futebol mato - grossense no início dos anos 70

Rubens dos Santos reuniu atletas do passado em sua residência no final dos anos 90

O eterno presidente Rubens dos Santos parabenizando o Operário por mais uma conquista

Velório de Bife o maior ídolo do Operário em todos os tempos

O falecido radialista Eduardo Saraiva além de diretor foi considerado um dos mais torcedores na história tricolor

Operário em 1973/74 conquistou o título mais importante na história do clube. Em Pé: Lira, Joel Diamantino, Carlos Pedras, Márcio, Gaguinho, Paulo Fernando e Tyressólis ( Massagista). Agachados: Zé Pulula, César"Diabo Loiro", Bife, Gilson Lira e Ruiter. Os mascotes são Ingo Klein Junior e Juninho Paôzinho


Fonte: VG Notícias

Visite o website: wwww.vgnoticias.com.br