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Artigos Segunda-feira, 24 de Junho de 2024, 13:52 - A | A

Segunda-feira, 24 de Junho de 2024, 13h:52 - A | A

Vanessa Furtado*

Cinzas da Carreira Docente das IFEs

23 de junho: É noite de São João! A fogueira estala e queima nossa carreira docente. Atirada às chamas por quem deveria nos fortalecer para barrar a privatização da universidade pública e o esfacelamento de nossa profissão.

Aqui na ADUFMAT/UFMT resistimos, lutamos bravamente e em coro dissemos: "a greve continua!". Driblamos a "manobra" da diretoria do ANDES-SN que vem incansavelmente anunciando o fim da greve desde a primeira mesa de negociação, haja visto a efusividade e felicidade com que anunciam em seus vídeos as propostas esvaziadas do governo.

A história do ANDES-SN como sindicato de luta, classista e que não se dobra às manobras governamentais e respeita suas bases, também, está sendo consumida pelo fogo do neoliberalismo. A universidade pública como conhecemos está sendo sufocada por toda essa fumaça. O projeto profissional de professora-pesquisadora tem virado fuligem e a demanda do mercado pelo produto "ensino" avança.

Uma lógica que faz seu próprio tempo, que mais se interessa pelo produto “diploma” do que pelo conteúdo que este carrega, porque no final, tudo vira mercadoria “força de trabalho” pronta para ser prensada e esmagada pelas mãos duras e muito visíveis do “mercado”.

A produção de conhecimento tem se reduzido ao produto: “diploma”. Pouco se discute em termos de conteúdo e da vivência universitária, mas muito se fala em “evasão escolar*, por exemplo. Nesse debate, culpabilizar o/a estudante tem sido a regra, mas pouco se fala do impacto das políticas neoliberais das quais a universidade tem sido alvo e que garantiria melhores condições para permanência do/da estudante na sala de aula.

Isso vai muito além da assistência estudantil, perpassa pelas condições de trabalho que nós servidoras/es temos que enfrentar e temos sustentado usando nosso já defasado salário para dar conta de comprar materiais essenciais para exercemos nossa função como pesquisadoras e mesmo dentro da sala de aula. Sobra muita falta: faltam equipamentos e suprimentos laboratoriais, canetas/giz para escrever no quadro, faltam portas nos banheiros, falta água salubre para bebermos, falta apoio à pesquisa, falta apoio para divulgação científica, só não falta a cobrança em cima de servidoras/es e estudantes para que continuem segurando em seus ombros os escombros do que tem sido o ensino superior público nesse país.

O ensino, pesquisa e extensão, que são a tríade da produção de conhecimento, sem recursos públicos têm se afastado cada vez mais das necessidades das pessoas e sendo produzidos para as necessidades das empresas, por sua dependência do capital privado em detrimento do público. O que gera uma máquina de produção de conhecimento “nonsense” que se quer tem incidência na vida das pessoas como deveria ser.

Quanto tempo levamos nos preparando para chegarmos até aqui? Desde os anos da graduação, depois mestrado, doutorado e lá se vão bons dez anos de nossa vida voltadas a construir as condições que nos fez chegar até aqui, para hoje assistimos nossos anseios serem reduzidos a pó.

A luta pela carreira docente, está relacionada com a remuneração, mas também, com a possibilidade de fazermos pesquisa, de podermos ter materiais nos laboratórios, recursos audiovisuais para nossas aulas, dinheiro para divulgação científica etc. Nossa luta por manter vivo o espírito da universidade pública socialmente referenciada foi, na noite de São João, jogada na fogueira que ao passo que reduz às cinzas nossa carreira e as possibilidades de produção de conhecimento e formação de qualidade, é também prenúncio de novos tempos da luta sindical das IFEs?

Com um sindicato que comemora o aumento do número de filiações, mas esvazia a luta, o que está por vir? Qual a vitória que podemos contar dessa greve?

Está sendo difícil atravessar toda essa nebulosidade sem lágrimas nos olhos, ficamos exposta com nossa base que votou pela radicalização da greve, mas sem efetiva resposta de quem a dirige nacionalmente. O balde de água fria que deveria apagar o fogo privatista que consome a universidade pública, foi jogado em nós!

Vanessa Furtado
Professora de Psicologia da UFMT

 

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