Solicitação: Governador Pedro Taques, vão construa o novo Pronto-Socorro de Cuiabá

Senhor Governador, dê à sociedade mato-grossense a satisfação de ver extinto não o sangue, mas os atos de seus antecessores.

 Egaz Lobo*

Chico Buarque inspirou-se em “Bola de Sebo”, de Guy de Maupassant, ao escrever Geni e o Zepelin. Não consigo distinguir se foi plágio ou contrafação, dado o fato de se tratar de duas obras artísticas com histórias quase idênticas: ambas escritas e uma delas cantada. Minha incipiência no Direito gera a dúvida, mas a anterioridade pesa a favor de Maupassant.

De toda forma, interessa saber que a contrafação sempre causa problema no meio artístico. No meio político não, é a regra: e nenhum antecessor reclama a paternidade dos escândalos que se reiteram nos governos seguintes– ao contrário: a paternidade lhes é negada porque entre um mandato e outro se apresentam vazectomizados pela amnésia dos eleitores. Espero que Pedro Taques, ex-procurador da República, não se esqueça da Lei 9.610/98, e faça sua própria obra aoadministrareste Estado.

No primeiro mês do mandato de Taques discutiu-se a saúde financeira do Estado: superavitário, dizia Silval; deficitário, dizia Taques. Acredito em Pedro Taques. Mas não importa minha opinião,interessa que o atual governador herdou um Estado na melhor das condições para ser administrado: em uma desordem generalizada. Explico a oportunidade de Taques. 

Mato Grosso não é um Estado que necessita de ações – nada a construir, nada a fazer: nem aeroporto, nem estradas, nem remendos asfálticos, nem macadamização, nem ferrovia, nem pontes, nem portos, nem hospitais e nem nada. Mato Grosso é um Estado que precisa de abstenções: basta que Pedro Taques descontinue as ações de seus antecessores para que preste um imenso serviço à população mato-grossense. Abstenções – é disso que Mato Grosso precisa.

Mas nem tudo são flores, e o governador herdou um abacaxi: o veículo leve sobre trilhos – VLT. O que fazer: deixar parte da obra que custou um bilhão e meio apodrecer aos olhos de todos ou gastar mais um bilhão e meio e terminá-la?A abstenção, neste caso, colocaria Pedro Taques no lugar do Asno de Buridan. Porém, o governador é um homem resoluto e já decidiu que não é lícito e sensato deixar o dinheiro público apodrecer a céu aberto – e por isso vai terminar o VLT. Gastará um bilhão e meio para que o Estado não perca um bilhão e meio. O paradoxo de Buridan resolvido. Gosto dos resolutos. Gosto de Pedro Taques.
Ainda resoluto, o governador anunciou, com orgulho, a construção do novo pronto-socorro da capital. Fosse eu o governador, nomearia Simão Bacamarte chefe da Casa Civil – com poderes irrestritos -, e construiria, em lugar de um novo pronto-socorro, uma casa de orates, como em Itaguaí.

O que se viu de mais absurdo neste Estado nos últimos anos não foi a população a morrer em corredores de hospitais, foi a sandice de seus dirigentes, que dão demonstração diária de uma misantropiaque, para infelicidade deles, está atrelada à exigência de ficar em evidência nos meios de comunicação ou em contato diário com eleitores.

Quem além de desajustados mentais com horror às pessoas seria capaz de protagonizar atos tão escandalososquanto os que envolvem os dirigentes estaduais? O que os senhores deste Estado fizeram e ainda fazem não consta do Código Penal, que o governador conhece tão bem como ex-procurador, consta da Classificação Internacional de Doenças – CID. 

Esse desprezo extremado pelos cidadãos, o descaramento com que juram inocência ante tudo que pesa contra eles, além da síndrome persecutóriaque dizem assombrá-los a cada novo escândalo, é um mosaico doentio. E eu, particularmente, prefiro curar políticos a curar cidadãos. Que morram cidadãos de infarto, câncer, pneumonia, tuberculose, leucemia, toxoplasmose, infecção hospitalar e detodos os outros males para os quais recebem do poder público menos cuidado que bichos de estimaçãorecebem de seus donos. Já estão acostumados.Que morram por mais uns anos – a causa é boa.

E como não consigo tirar essa caterva das cadeiras executivas, parlamentares e jurisdicionaisque ocupam, sugiro ao governador que desista da construção do novo pronto-socorro, e que em seu lugar faça um hospício e os interne, para que, talvez dessa forma, consigamos curar nos cidadãos cânceres que não são curados em razão dos atos desses dementes, atos que ultrapassaram a fronteira da desonestidade há anos.

E se minha sugestão não for acatada, tomo a liberdade de solicitar ao governador que atente para “O Príncipe”, de Machiavel, especialmente para o capítulo no qual ele diz como conduzir os principados conquistados: “O conquistador, para mantê-los, deve ter duas regras: primeiro, fazer extinguir o sangue do antigo príncipe; segundo, não alterar a lei nem os impostos”.

Senhor Governador, dê à sociedade mato-grossense a satisfação de ver extinto não o sangue, mas os atos de seus antecessores.

Quanto às leis e os impostos me parece improvável que Vossa Senhoria queiraou possa seguir a segunda regra de Machiavel, afinal, um Estado que teve como presidente da Assembleia Legislativa José Riva, e como Secretário de Estado de Fazenda Eder Moraes, não se pode dar o luxo de preservar inalteradas a legislação e a tributação.
 

*Egaz Lobo é um colaborador eventual do VG Notícias.


Fonte: VG Notícias

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